Meio ambiente talvez, quem sabe, sobre só a metade?

sábado, 27 de agosto de 2011

Lagrimas no Xingu

Este texto é dedicado a Kuana Kamayurá e ao povo do Xingu








Lágrimas No Xingu


Não derramem lagrimas até o amanhecer, pois quem sabe o dia poderá nos trazer alguma boa notícia, se não trouxer, foi por que o tempo passou e a história mudou. Mudou a realidade da floresta, o canto dos pássaros e o por do sol. O rio corre para o mar, levando consigo a história que o tempo engoliu, assim como as lágrimas que foram derramadas e que não voltarão mais para os teus olhos, e não desabrochará mais o teu sorriso em noite de luar. O Xingu, terra dos Ianomâmis, Kalapalo, Kamayurá, Guajajara, Pataxó, Kaiowa, Xoklein, Tikuna, Kayapó, Txucarramãe, Guarani, Trumai, Pankararu, Fulni-ô, Wassu-cocal, Xavante e tantas outras, agora é um local de grande degradação. Onde geólogos procuram registrar os sítios arqueológicos e a história dos teus antepassados, que felizes morreram sem conhecer a fatídica civilização branca, que agora sangra o rio com navalhas afiadas, destruindo as matas, brocadas, abrem clareiras, destruindo os mesmos índios que vivos, poderiam escrever a sua própria história, são testemunhas da vida da floresta e de sua história, que poderiam contar por si só, onde viveram milhões de anos. Agora, amordaçados, tentam acenar para o mundo, um pedido de socorro para salvar o que resta da nação do que já fora outrora. Uma civilização primitiva, mas rica em costumes, filosoficamente inteligente e de cultura desconhecida e a história sendo destruída desde o tempo da 1º grande invasão, há mais de 500 anos, contada como descoberta, agora acoberta os desmandos do governo, que mutilam a história deste povo, que procura em meio a civilização o contato com seu chão, que a muito foi tomado, modificado e agora envenenado, dentro de pouco tempo será inundado, não pelas águas do Rio Xingu, mas, pelas lágrimas tristes de teu povo, diante da degradação dos que chamam isto, de civilização...

Autor/ António Lourenço de Andrade Filho
Escritor e poeta do meio ambiente



Um comentário:

  1. trtes beau poeme encore, Antonio!!..les photos sont tres parlantes aussi)°°°

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